Qual o limite para se ter um corpo “ideal”?

A busca pelo corpo ideal e seus excessos:

Nesses anos como Nutricionista, principalmente atuando na área esportiva, é muito comum ver pessoas preocupadas com o corpo ideal, e até aí, não há problema algum e acho inclusive saudável você buscar sempre que possível, uma versão melhor de você.

Perder uns quilinhos aqui, eliminar uma gordura ali, diminuir o percentual de gordura, ganhar mais massa muscular… Enfim, “esculpir” o corpo através de uma alimentação saudável e da prática de atividades físicas.

É uma decisão que busca muitas vezes a estética, mas que interfere positivamente em outras áreas, tais como saúde, auto estima, controle nas decisões, mudança de hábitos e que costumeiramente “contaminam” as pessoas mais próximas de nós, o que é ótimo.

O problema é quando isso se torna uma obsessão, fazendo com que apenas a estética seja o objetivo maior, pois na maioria das vezes isso começa a interferir na saúde da pessoa.

Inicia-se um processo onde o uso de hormônios, diuréticos, manipulações fitoterápicas, protocolos de dieta e exercícios aeróbicos ultrapassam as recomendações médicas e se tornam um abuso sem limites.

É lógico que o uso de adjuvantes na busca do corpo ideal acelera o resultado e inclusive muitas das vezes são até necessários, quando trata-se de uma disfunção hormonal (testosterona baixa, cortisol alto, hipotireoidismo, extremo cansaço/fadiga, depressão…), mas usar esses recursos para alcançar milímetros a menos de pele/gordura e poucos centímetros a mais de músculo se você não for um atleta ou não viver do seu corpo, não faz sentido.

Esse é um tema que me preocupa muito enquanto profissional e ser humano que sou, pois pratico Crossfit e sigo um estilo de alimentação saudável que para muitos já seria considerada dieta, e a conclusão que venho chegando com o passar do tempo é que parte dessa confusão que as pessoas fazem entre “uma versão melhor de você” e a “obsessão pelo corpo ideal” nasce das famosas e polêmicas redes sociais.

O tempo todo a mídia de uma maneira geral mostra que se você não tiver o corpo “x”, ou o peso “y”, ou cabelo “tal” os dias serão mais cinzentos para você.

Em contra partida, nas redes sociais, com o intuito do incentivo ao estilo de vida saudável, bombardeamos com fotos de pratos maravilhosos, treinos e corpos legais (e sim, digo nós pois eu também faço).

O fato é que para a maioria das pessoas, isso realmente serve de incentivo para que ela busque uma vida mais saudável, mas para algumas, esse “incentivo” vem em forma de cobrança e distorce todo o sentido inicial.

Por isso quis abordar esse assunto, para desmistificar um pouco a “vida pública” das referências de corpo ideal de redes sociais.

A menos que sejam atletas de fisiculturismo com campeonato próximo, pois de fato não irão ficar sem treinar e jamais sairão da dieta, tanto eles como nós nutricionistas, personais, praticantes de um health style de uma maneira geral saímos sim da dieta de vez em quando e em alguns momentos da vida, também não conseguimos ser impecáveis em nossos treinos.

Isso porque somos seres humanos normais, e não máquinas. Temos vida social, trabalho, cansaço, compromissos, preguiça as vezes, vontades… A diferença é que isso acontece eventualmente e que mantemos uma constância maior em treinos e dieta, o que permite que não sejamos tão rigorosos e radicais sempre.

As vezes um paciente me procura, com um histórico de sedentarismo e de nunca ter feito dieta e logo já quer saber quando será o famoso “dia do lixo”, e neste caso não tem dia do lixo, pois ele vem em dias do lixo a maior parte da vida.

Isso quer dizer que a dieta dele será radical para sempre? Óbvio que não, assim que formos conquistando hábitos mais saudável, um corpo mais responsivo a dieta, memória muscular, controle hormonal principalmente dos centros de fome e saciedade, a dieta vai se tornando um pouco mais permissiva.

O contrário também acontece, de pacientes que já vem em dieta a muito tempo, bem condicionados fisicamente e podem ter um dia do lixo controlado que não irá afetar tanto assim nosso resultado.

Não há uma regra, mas é fundamental que as pessoas entendam que como tudo na vida, a busca de uma versão melhor de você é como se fossem etapas de um jogo de videogame, oras as fases serão mais difíceis, ora ganharão ferramentas de ajuda ou algumas regalias.

Infelizmente, quando a busca do corpo ideal se torna uma obsessão, mais conhecida como “vigorexia”, onde as pessoas aos poucos vão perdendo a vida social, vão perdendo a relação saudável com a comida, os treinos passam a ser uma obrigação e as vezes até, frustração e com isso a saúde vai se esvaindo e dando lugar a doenças que quando não físicas, psicológicas, e talvez essas sejam as que me preocupem mais.

Isso porque é uma era muito difícil de acessar, pois aqui estamos falando de anorexia, bulimia, entre outros transtornos alimentares, e dificilmente a pessoa irá admitir que esta evitando a comida ou tendo momentos de compulsão alimentar seguidos de vomito forçado.

Neste momento dependemos de familiares ou pessoas próximas que saibam identificar estes sinais e alertem os profissionais de saúde que acompanham essa pessoa, para dar início a um trabalho que muitas vezes é multidisciplinar, devido a necessidade de terapia.

Por isso é fundamental que a busca do corpo perfeito, na verdade seja uma busca de um corpo perfeito “para você”, uma melhor versão “sua”, respeitando sua genética, seu passado e como cuidou deste corpo até agora, sua rotina de vida atual (filhos, trabalho, estudo…) e se comprometer a alcançar os resultados devagar e sempre, de forma constante, sem buscar milagres ou resultados rápidos que serão insustentáveis a longo prazo, seja por recurso financeiro, por tempo ou por dedicação sua mesmo.

Isso evita frustração, evita efeito sanfona, evita transtorno alimentar, evita doença e o melhor de tudo, evita o medo de começar.

Lembre-se, ser saudável é estilo de vida, ter um corpo legal é consequência, e que não há problema algum em querer mais, desde que não perca sua saúde no processo e se distancie do mais importante: A VIDA!

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