Você já ouviu falar na sigla “AEJ”?

AEJ significa “Aeróbico Em Jejum”. Quais os riscos e benefícios?

Após um jejum prolongado, ocorre uma redução das reservas de carboidratos e como consequência ocorre o aumento do uso das gorduras pelo organismo.

A partir desse fato, algumas pessoas passaram a se exercitar em jejum para aumentar ainda mais essa utilização de gorduras, e com isso nasceu o famoso “Aeróbico em Jejum” ou “AEJ” para os íntimos.

No entanto, essa prática para perda de gordura através do AEJ é muito polêmica, e costuma ser muito utilizada pelos fisiculturistas com o intuito de afinar a pele, ou seja, deixar os músculos mais aparentes e definidos, levando a um percentual de gordura bem baixo.

O aeróbio em jejum aumenta a sensibilidade a insulina, ou seja, pessoas diabéticas podem se beneficiar dessa estratégia.

Atletas de endurance também se beneficiam do AEJ, pois na restrição de carboidratos parece tornar as células musculares mais eficientes na produção de energia via oxidação da gordura intramuscular, auxiliando na produção de contração dos músculos.

Porém essa gordura intramuscular não possui relação alguma com a composição corporal.

Agora, a prática do AEJ por populações com fatores de risco para doenças cardíacas, como obesidade e o estilo de vida sedentário, pode ter implicações mais serias do que o simples fato de perda de gordura.

Tudo isso devido ao fato de marcadores inflamatórios serem liberados durante o AEJ e também da liberação de adrenalina. Isso pode induzir arritmias e aumento da sobrecarga cardíaca, resultando em um elevado risco cardiovascular.

Portanto, pessoas com elevado risco cardíaco, o que inclui sedentários e obesos, devem evitar períodos prolongados de inanição e principalmente exercícios em jejum.

Minha opinião como Personal e Health Coach é que o AEJ não melhora significativamente a capacidade aeróbia, mas pode ser uma forma de amplificar o exercício aeróbio comum, devido ao aumento das mitocôndrias (célula onde se metaboliza a gordura), podendo ser uma boa estratégia em alunos mais avançados com intuito estético, lembrando que nem todas a pessoas toleram bem o estado de inanição (falta de alimentação/jejum prolongado).

Neste caso, o ideal seria os exercícios intervalados ou HIIT (High Intensity Interval Training), que tem se mostrado muito eficaz no emagrecimento e condicionamento físico.

O importante é sempre levar em consideração a individualidade biológica de cada pessoa, e que esta esteja sendo assessorada por uma equipe, onde um Personal a acompanhe ou monte os treinos dentro de uma periodização específica e uma Nutricionista adeque o plano alimentar de acordo com as estratégias definidas.

Quando analisamos a questão nutricional, as vezes o metabolismo da pessoa esta tão lento por conta de um excesso de peso ou sedentarismo (ou até mesmo devido a um hipotireoidismo ou disfunção hormonal), que fica mais interessante sugerir a essa pessoa quebrar o jejum e fazer um aeróbico/cardio mais intensdo (HIIT) visando um resultado mais expressivo a curto prazo do que fazer um AEJ.

Isso porque nosso cérebro ainda é “pré histórico”, se podemos dizer assim, e em uma situação de restrição calórica em um corpo mal adaptado, ele tende a reduzir o metabolismo (“custo energético diário”), fazendo com que fique cada vez mais difícil a perda de peso.

Por isso se torna mais interessante um HIIT, onde a pessoa terá mais energia para fazer um bom aeróbico/cardio, do que o AEJ “literalmente se arrastando”.

Agora, falando de pessoas bem treinadas ou com uma boa resposta metabólica, o AEJ é uma excelente opção e pode inclusive ser associado a um protocolo de jejum intermitente, mas este é assunto que rende uma nova conversa.

De uma maneira geral, a mensagem que fica é que existem diversos protocolos e estímulos diferentes, onde o acompanhamento se torna fundamental para validar se essa estratégia de fato é a melhor para você, neste momento de vida.


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